Como analisar questões erradas: os 5 tipos de erro e o que fazer
· 7 min de leitura · por Ritmo
Você faz cinquenta questões, erra doze, confere no gabarito que a resposta certa era a C, pensa "ah, era isso" e abre a próxima lista. Duas semanas depois, as mesmas doze voltam e você erra de novo. O problema não é a quantidade de questões que você resolve. É que o erro passa por você sem deixar registro e sem nome.
A resposta curta: todo erro que vale alguma coisa precisa de duas informações, o tipo e a data de volta. O tipo diz qual é o tratamento, porque não saber o conteúdo e ler errado o enunciado são problemas diferentes que você vem tratando do mesmo jeito. A data de volta é quando aquela pergunta reaparece na sua frente, porque erro que não volta não vira acerto. Você monta as duas coisas com papel ou planilha, em menos de um minuto por questão errada.
Por que o erro é a informação mais valiosa do estudo
Um acerto é um dado ambíguo. Você pode ter acertado porque sabia, porque eliminou duas alternativas absurdas ou porque chutou com sorte. O acerto não diz o que fazer amanhã. O erro diz. Ele aponta para um ponto específico do edital, numa forma específica de cobrança, e entrega isso pronto.
Só que ler o gabarito não é corrigir. Quando você lê a resposta certa, o conteúdo está na sua frente e você reconhece. Reconhecer dá a sensação de aprendizado sem o esforço que produz aprendizado. É por isso que a questão volta a te derrubar: a informação nunca foi recuperada da sua memória, só foi reconhecida na tela.
Existe um detalhe que costuma passar batido. Quando você erra, muitas vezes não é uma lacuna vazia na memória. É uma informação errada ocupando o lugar da certa. Se a correção for só "o certo é cinco dias", a versão antiga continua lá e volta na prova, porque ela já estava consolidada. Corrigir bem é escrever a versão certa do seu jeito.
Os cinco tipos de erro, e o tratamento de cada um
Antes de decidir o que fazer com a questão errada, dê um nome a ela. São cinco tipos, e eles cobrem quase tudo. O tratamento muda por completo de um para o outro.
- Tipo 1, não sabia o conteúdo. Você nunca viu aquilo ou viu e não ficou nada. Tratamento: o tópico volta para o cronograma como estudo novo, com resumo curto e revisões espaçadas. Não adianta refazer a questão amanhã.
- Tipo 2, troquei por um conceito vizinho. Você confundiu dois institutos parecidos, dois prazos parecidos, duas competências parecidas. Tratamento: quadro comparativo de duas colunas com o critério que separa um do outro. Enquanto esse critério não estiver escrito, o erro tende a voltar.
- Tipo 3, li errado o enunciado. Não viu o "exceto", não viu que a banca pedia a assertiva incorreta, ignorou um "somente". Tratamento: nenhum, em termos de conteúdo. É procedimento de leitura, e se resolve marcando o comando da questão antes de olhar as alternativas.
- Tipo 4, sabia e não resolvi a tempo. Você travou, deixou para o fim e chutou. Tratamento: ritmo e ordem de resolução, não teoria. Registre o tempo que a questão consumiu, não o conteúdo.
- Tipo 5, cobrança específica da banca. A questão dependia da redação literal da lei, de uma súmula ou de um entendimento que só aquele examinador cobra. Tratamento: registre a cobrança, não o assunto inteiro.
- Fora da lista, um caso que conta como erro: acertei chutando. Se você não conseguiria justificar a alternativa para outra pessoa, marque como tipo 1.
O registro de quatro linhas
É fácil desistir de registrar erro quando o registro vira resumo. Você copia a questão inteira, cola o comentário do professor, escreve meia página de teoria e leva quinze minutos por questão. Com doze erros, são três horas que você não tem.
O registro que funciona tem quatro linhas e cabe num minuto. Vale em ficha de papel, caderno ou planilha. Fechadas as quatro linhas, marque a data de amanhã como primeira volta. Depois de acertar, sete dias. Depois, trinta.
- Copie só a assertiva errada, não a questão inteira. Uma frase, aquela que você marcou e não devia, ou aquela que você deixou de marcar.
- Escreva em uma frase por que ela está errada, destacando a palavra que muda tudo. Costuma ser uma só: sempre, apenas, poderá, dias, órgão.
- Escreva a versão correta da assertiva, do seu jeito, sem copiar do gabarito. Se você não consegue escrever, você não entendeu.
- Anote o tipo de erro, de 1 a 5, e o tópico exato do edital. Tópico é "licitação, modalidades", não "administrativo".
A planilha de erros que vale a pena manter
No papel, fichas soltas funcionam e são fáceis de embaralhar. Na planilha, a vantagem é que ela soma sozinha e mostra onde o problema está concentrado. Uma aba, uma linha por erro, estas colunas:
- Data da resolução
- Disciplina
- Tópico do edital, escrito igual ao seu verticalizado
- Banca e ano da questão
- Assertiva errada
- Por que está errada
- Versão correta
- Tipo de erro, de 1 a 5
- Próxima volta, com a data
- Resultado da volta, acertei ou errei de novo
Como ler a planilha sem se enganar
A planilha só serve se você olhar para ela. Duas leituras bastam, e levam poucos minutos.
A primeira é por tópico. Ordene a coluna de tópico e veja onde as linhas se acumulam. Três erros espalhados em três matérias não dizem nada. Sete erros no mesmo tópico dizem que aquele tópico não foi aprendido, e ele precisa voltar como estudo, não como revisão.
A segunda é por tipo. Conte quantos erros de cada tipo você teve na semana. Se a maioria é tipo 1, sua base ainda está sendo construída e fazer mais questões não resolve sozinho. Se é tipo 2, o problema é diferenciar conceitos vizinhos, e quadro comparativo rende mais que releitura. Se o tipo 3 aparece com frequência na semana, você perde ponto por leitura, e isso é o mais barato de consertar. Se tipo 4 domina, treine com simulado cronometrado, não com mais teoria.
A leitura por tipo evita o engano mais comum: tratar tudo como falta de conteúdo e reestudar matéria que você já sabe, enquanto o ponto perdido por leitura apressada continua intacto.
O que não vale a pena registrar
Registro de erro morre por excesso. Se cada lista gera quarenta linhas, você não revisa nenhuma. Descarte sem culpa:
- Questão anulada ou com gabarito duvidoso. Você não vai ser cobrado por um erro da banca.
- Conteúdo que não está no seu edital. Acontece muito com lista genérica da internet.
- Erro que você já tem registrado. Em vez de criar linha nova, marque uma repetição na linha antiga. Três repetições é sinal de que o tópico precisa de estudo, não de mais uma volta.
- Comentário de professor copiado inteiro. Se você não resumiu com as suas palavras, aquilo não vai ser lido de novo.
Como o Ritmo faz isso
No Ritmo, os flashcards são servidos a partir do banco de questões compartilhado, então não tem baralho para montar nem etapa de digitação. Você escolhe a disciplina e recebe os cartões dela. Cada cartão mostra a pergunta, você tenta responder de cabeça, revela a resposta e marca se acertou ou errou. No fim aparece o resultado da sessão, e ele entra no seu desempenho por tópico.
As revisões seguem o mesmo esquema de 1, 7 e 30 dias descrito aqui. Cada estudo registrado cria as revisões automaticamente. Quando uma revisão atrasa, ela vai para uma fila com três escolhas suas: fazer agora, estender por três dias ou ignorar. O aplicativo não decide isso por você, só não deixa o atraso desaparecer.
As estatísticas mostram o aproveitamento por matéria e por tópico, com a contagem já pronta. É a mesma leitura por tópico da planilha, sem você somar nada. O que fazer com o tópico continua sendo sua decisão. O cronômetro registra o tempo de sessão. O edital verticalizado, montado a partir do catálogo de concursos abertos, atualizado, ou de um PDF que você envia, dá o nome exato do tópico para onde cada erro aponta. Funciona offline e sincroniza entre celular e computador. O vídeo acima mostra esse caminho rapidamente.
O que fazer hoje
Pegue a última lista de questões que você resolveu e separe as erradas. Para cada uma, escreva as quatro linhas: assertiva errada, por que está errada, versão correta, tipo e tópico. Não passe de um minuto por questão. Se der vontade de escrever teoria, pare, porque isso é outro momento do estudo.
Depois conte os tipos e compare com o que a leitura por tipo indica. Amanhã, antes de abrir material novo, responda às assertivas que você registrou, de cabeça e sem olhar. O método inteiro é isso repetido.
Veja em vídeo
O passo a passo completo, tela a tela, no nosso canal. As telas do produto usam dados de uma conta de demonstração.
Perguntas frequentes
- O que fazer com as questões que eu errei?
- Registre cada erro em quatro linhas: a assertiva errada, por que ela está errada, a versão correta escrita por você e o tipo de erro com o tópico do edital. Depois marque uma data de volta, começando pelo dia seguinte. Sem registro e sem data de volta, o erro some e reaparece na prova.
- Vale a pena refazer as questões que errei?
- Vale, desde que não seja no mesmo dia. Refazer logo em seguida só testa memória de curto prazo e você acerta pelo enunciado, não pelo conteúdo. Refaça no dia seguinte, depois com uma semana e depois com um mês, e prefira responder à assertiva isolada em vez de olhar as alternativas, para não decorar a posição do gabarito.
- Quanto tempo devo gastar corrigindo questões?
- Cerca de um minuto por questão errada no registro, mais dez a vinte minutos por semana para ler o que você registrou. Se a correção está levando quinze minutos por questão, você parou de corrigir e começou a estudar teoria, o que é outro momento do estudo. Se a correção vira uma tarefa longa, você para de registrar e o caderno morre.
- Errar muita questão no começo é normal?
- É esperado enquanto você ainda está cobrindo o edital pela primeira vez, porque boa parte das questões cai em assunto que você nem estudou. Esse erro não é falha, é diagnóstico: anote o tópico e siga. O que importa acompanhar é se o mesmo tópico continua errando depois de estudado e revisado.
- Acertei no chute, conta como acerto?
- Na estatística conta, mas no seu estudo não. Se a alternativa certa veio de eliminação e de sorte, o conteúdo continua faltando e a mesma questão volta a derrubar você. Trate como erro: anote a assertiva, por que ela está certa, a versão correta escrita por você e o tópico do edital. Marque como tipo 1 e dê uma data de volta.