Como estudar para concurso faltando 2 meses: plano de 8 semanas
· 10 min de leitura · por Ritmo

Para estudar para concurso faltando 2 meses, você corta o edital pelos tópicos que mais caem, fecha a teoria nova até o fim da sexta semana e muda a proporção do tempo a cada quinzena. Começa com 60 por cento em teoria e termina com 50 por cento em questões e 40 por cento em revisão. Oito semanas não dão para ver o edital inteiro. Dão para ver bem a parte dele que decide a maioria das questões.
Este artigo é o plano semana a semana: a conta de horas, o critério de corte, o que fazer em cada quinzena, uma versão para quem ainda não abriu o material e três checagens de ritmo. Tudo em papel ou planilha.
Primeiro a conta: horas líquidas em 8 semanas
Antes de decidir o que estudar, descubra quanto tempo existe: não o que você gostaria de ter, o que sobrou na semana passada. Some as janelas reais de segunda a domingo e tire uns 15 minutos de cada uma, o custo de sentar e começar. Isso é a sua hora líquida por semana.
Quem trabalha e estuda 2 horas por noite de segunda a sexta, mais 4 no sábado, tem 14 horas brutas e perto de 12 líquidas por semana: 96 horas em 8 semanas. Quem tem o dia livre e faz 5 horas de segunda a sábado chega perto de 230. É esse número, e não a vontade, que define o tamanho do corte.
A segunda conta é a divisão dessas horas entre teoria nova, questões e revisão. A proporção muda a cada quinzena, e essa mudança é o plano inteiro. Com 12 horas líquidas, a semana 1 tem 7 horas de teoria e a semana 8, pouco mais de 1:
- Semanas 1 e 2: 60 por cento teoria, 30 por cento questões, 10 por cento revisão.
- Semanas 3 e 4: 40 por cento teoria, 40 por cento questões, 20 por cento revisão.
- Semanas 5 e 6: 25 por cento teoria, 45 por cento questões, 30 por cento revisão.
- Semanas 7 e 8: 10 por cento teoria, 50 por cento questões, 40 por cento revisão.
O corte do edital pela incidência
Oito semanas não comportam o edital inteiro, e fingir que comportam é o erro mais caro desse prazo. O corte é feito com dado: pegue as duas ou três últimas provas do mesmo cargo, de preferência da mesma banca, e conte quantas questões cada tópico do edital teve.
O resultado é uma lista em três faixas: A entra primeiro, B entra se der tempo, C fica de fora. O critério para escolher por onde começar, quando tudo parece urgente, está em Por onde começar a estudar o edital do concurso: método em 4 critérios.
- Liste os tópicos do edital verticalizado, um por linha, com a matéria na frente.
- Ao lado de cada tópico, anote quantas questões ele teve nas últimas provas. Zero é um dado: tópico que não caiu em três provas seguidas vai para o fim da fila.
- Dê uma nota de 0 a 3 para o quanto você já sabe daquele tópico. Zero é nunca vi; 3 é acerto com folga.
- Marque A os tópicos com muitas questões e nota 0 ou 1. Marque B os de incidência média, ou os de alta incidência em que você já está em 2. Marque C o resto.
- Some a lista A. Cada tópico A custa de 2 a 3 horas entre teoria e questões. Se a soma ultrapassar 60 por cento das suas horas líquidas das 8 semanas, rebaixe os A de menor incidência para B. Essa é a regra do corte, e ela vai ser aplicada de novo nas checagens.
Semanas 1 e 2: teoria dos tópicos A, questões desde o primeiro dia
As duas primeiras semanas são as únicas em que a teoria domina. Mesmo assim, 30 por cento do tempo já vai para questões, porque teoria sem questão no mesmo dia, faltando 2 meses, é quase o mesmo que não ter estudado.
- Ordene os tópicos A pela matéria de maior peso na prova. Comece por eles, não pela matéria de que você gosta.
- Cada sessão de teoria termina com 10 a 15 questões do mesmo tópico, no mesmo dia. Anote o acerto ao lado do tópico.
- Use material de leitura rápida: resumo, lei seca comentada, aula em velocidade alta. Curso completo não cabe.
- No dia seguinte, faça a revisão de 1 dia: 10 minutos com o material fechado, escrevendo o que lembra, depois 5 questões.
Semanas 3 e 4: fechar os A, começar os B, revisões de 7 dias chegando
Na terceira semana, as revisões de 7 dias dos primeiros tópicos começam a vencer enquanto você ainda abre teoria nova. É aqui que a maioria dos planos de dois meses quebra: a fila de revisão cresce e a pessoa escolhe a teoria. Segure a proporção.
As datas de 1, 7 e 30 dias e o motivo de cada intervalo estão em Revisão espaçada 1/7/30: como funciona e como aplicar hoje. Em 8 semanas, só os tópicos das primeiras 4 chegam à revisão de 30 dias antes da prova; os demais fecham com a de 7 e com os simulados.
- Abra cada dia pela lista de revisões que vencem, as de 1 e as de 7 dias. Só depois avance.
- Termine os tópicos A até o fim da semana 4. Se não vai dar, aplique a regra do corte agora, não na semana 6: os últimos A descem para B. Comece os B pela mesma ordem, maior peso primeiro.
- Suba o bloco de questões para 20 a 30 por sessão, misturando tópicos já vistos. Questão só do tópico do dia treina reconhecimento; questão misturada treina a prova.
- No fim da semana 4, refaça a nota de 0 a 3 de cada tópico A pelo acerto real. O tópico que subiu para 3 sai do estudo e fica só na revisão.
Semanas 5 e 6: o último dia de teoria nova
Escolha agora, no papel, a data: o último dia da semana 6 é o último dia de teoria nova. O que não entrou até lá não entra mais. Parece perda, mas é o contrário: o tempo que sobra transforma o que você viu em acerto, e acerto é o que a prova mede.
- A teoria cai para 25 por cento. Use essa fatia para os tópicos B de maior incidência que ainda faltam.
- Questões sobem para 45 por cento, em blocos de 30 a 40, cronometrados, com teto de 3 minutos por questão objetiva.
- Revisão em 30 por cento: as de 7 dias da quinzena anterior e as de 30 dias dos tópicos das semanas 1 e 2 vencem juntas.
- Faça o primeiro simulado completo no fim da semana 6, com o tempo e o número de questões da última prova, para descobrir onde o tempo estoura. Se a prova tem redação, escreva uma por semana a partir daqui.
Semanas 7 e 8: simulados com tempo e revisão de 30 dias
As duas últimas semanas são de fechamento. Teoria nova acabou. O que sobra de teoria, 10 por cento, é releitura dirigida: você só abre o material no ponto exato do erro de uma questão.
- Dois simulados por semana, no horário da prova, com o tempo real e sem pausa. Corrija no mesmo dia.
- Depois de cada simulado, liste os tópicos com mais erros e revise com o material fechado. Depois, mais questões só desses tópicos.
- Faça as revisões de 30 dias que vencem. Se a fila estourar, priorize os tópicos de maior incidência e ignore, de propósito, os que já acerta com folga.
- Na semana 8, o último simulado é 4 ou 5 dias antes da prova. Os dois dias seguintes são de revisão leve e flashcards dos erros. A véspera é de logística, não de estudo.
Se você ainda não estudou nada
Se os dois meses começam do zero, o corte é mais fundo e a proporção começa mais inclinada para questões, não menos. Nas semanas 1 e 2, use 40 por cento em teoria, 50 por cento em questões e 10 por cento em revisão. Da semana 3 em diante, a tabela da primeira seção vale igual. Sem base, o que rende mais rápido é questão comentada, que ensina o tópico pelo jeito que a banca cobra.
Caso diferente é o de quem tinha um plano e o viu desandar. Aí o problema é atraso acumulado, e a decisão sobre o que recuperar e o que abandonar está em Como recuperar atraso nos estudos sem recomeçar o cronograma.
- Escolha só as 3 ou 4 matérias de maior peso e, dentro delas, só os tópicos A. As outras entram apenas por questões, umas 20 por semana, para não zerar.
- Estude cada tópico pela questão comentada: leia, tente, leia o comentário, anote a regra em uma linha. Teoria em texto só quando o comentário não basta.
- Antecipe o último dia de teoria nova para o fim da semana 5. Você vai precisar de mais tempo de questão, não de menos.
- Aceite que alguns tópicos vão para a prova só com a revisão de 7 dias. É melhor do que tudo visto uma vez e nada fixado.
Como saber se está no ritmo
São três checagens, uma a cada duas semanas, cada uma com um número. Se o número não bate, o ajuste é sempre o mesmo: cortar tópico, nunca esticar o dia.
O acerto que interessa é o de questão misturada, sem consulta, e não o da questão logo depois da teoria, que engana para cima. A régua completa, semana a semana, está em Estou no ritmo certo para a prova? Como medir em 4 números.
- Fim da semana 2: os tópicos A fechados são pelo menos 40 por cento da lista A? Se não, aplique a regra do corte: os A de menor incidência descem para B.
- Fim da semana 4: o acerto nos tópicos A, em questões misturadas, fica acima de 60 por cento? Se não, a semana 5 vira questões e revisão desses tópicos, e os B esperam.
- Fim da semana 6: no primeiro simulado, você terminou no tempo e ficou acima da nota mínima da última prova em metade das matérias? Se não, as semanas 7 e 8 se concentram nas que ficaram abaixo.
Como o Ritmo faz isso
No Ritmo, você informa a data da prova, os dias e horários da semana em que estuda de verdade e o quanto já sabe de cada matéria. A IA monta o cronograma a partir disso e do peso das matérias no edital. Se o teto é de duas horas por dia, o plano cabe em duas horas. É a conta desta página feita para você, com a data da prova como limite.
O edital verticalizado vem do catálogo de concursos abertos, atualizado, ou de um PDF do edital que você envia. Cada estudo registrado cria as revisões de 1, 7 e 30 dias. Quando uma atrasa, ela entra numa fila em que você escolhe: fazer agora, estender três dias ou ignorar.
Para as semanas 7 e 8, há simulados com tempo a partir do banco de questões compartilhado, flashcards gerados a partir das questões, redação com correção por critérios e estatísticas de horas, questões, acerto e evolução por matéria e por tópico. Funciona offline e sincroniza entre celular e computador, e há uma conta de demonstração para conhecer antes de assinar.


O que fazer hoje
Pegue o edital, a última prova e uma folha. Em 30 minutos: conte as horas líquidas da semana e multiplique por 8; liste os tópicos com a incidência da última prova ao lado; marque A, B e C. Escreva no alto da folha a data do último dia da semana 6.
Depois faça a primeira sessão da lista A hoje mesmo, nem que sejam 40 minutos de teoria e 10 questões. Em oito semanas, o dia que mais pesa é o primeiro: é ele que decide se os outros 55 começam.
Perguntas frequentes
- Dá para ver o edital inteiro em 2 meses?
- Na maioria dos concursos, não. Um edital de nível superior costuma ter mais de 100 tópicos, e cada um custa de 2 a 3 horas entre teoria e questões; com 100 a 200 horas líquidas em 8 semanas, a conta não fecha. Por isso o plano começa pelo corte: os tópicos de maior incidência nas últimas provas entram, os de incidência baixa ficam de fora. Ver bem a parte que mais cai rende mais do que ver mal o edital inteiro.
- Devo fazer simulado desde a primeira semana?
- Não. Simulado completo na semana 1 mede o que você ainda não estudou e gasta 4 ou 5 horas que fariam falta na teoria dos tópicos A. Nas primeiras semanas, o que vale é bloco de questões por tópico, no mesmo dia da teoria. O primeiro simulado inteiro, com o tempo da prova, entra no fim da semana 6, e as semanas 7 e 8 têm dois por semana.
- E se o edital saiu com menos de 2 meses para a prova?
- Aí o plano de 8 semanas não cabe, e o que encurta é a fase de teoria, não as de questões e revisão. Com 6 semanas, a teoria nova termina na semana 4; com 5, na semana 3. O corte do edital é mais fundo e as matérias de menor peso entram só por questões. Para 30 dias ou menos, o cronograma de 4 semanas, com a lista do que abandonar, está em Como estudar para concurso faltando 1 mês: cronograma de 4 semanas.
- Dá para estudar para concurso em 2 meses?
- Dá para estudar bem a parte do edital que mais cai, o que é diferente de ver tudo. O que define o alcance é a quantidade de horas líquidas por semana e o quanto você já sabia antes. Com 12 horas líquidas por semana, são 96 horas em 8 semanas: cabem cerca de 20 a 30 tópicos A com teoria, questões e revisão, mais alguns B só por questões, e ainda sobra espaço para os simulados. O que você controla é o corte certo e a disciplina de parar a teoria nova na semana 6.